A próxima geração de consoles, encabeçada pelo PlayStation 6 e pelo novo aparelho da Microsoft, corre o risco de chegar às lojas norte-americanas custando mais de US$ 1.000. A projeção alarmante surgiu após análises do mercado de hardware indicarem que apenas duas peças essenciais já superariam a casa dos US$ 680 na fabricação do dispositivo da Sony.
O peso dos componentes na produção
O debate ganhou força após o informante KeplerL2 apontar que os gastos com chips de memória ultrapassariam o orçamento tradicionalmente reservado para grande parte de um videogame. Sobre essa questão, o insider publicou: “RAM + NAND alone is over $680”.
Enquanto a RAM gerencia os dados ativos durante a jogatina, a tecnologia NAND alimenta os SSDs responsáveis por guardar os arquivos e títulos. Juntas, essas peças formam o coração do processamento moderno, embora representem apenas uma fração do custo total de montagem que ainda inclui placa-mãe, processador e sistema de resfriamento.
Crise na cadeia de suprimentos
O encarecimento generalizado dos insumos eletrônicos está diretamente ligado ao boom dos centros de dados voltados para inteligência artificial, que disputam a mesma capacidade de produção das fábricas com o mercado de computadores e celulares. Projeções da consultoria TrendForce indicam novas altas expressivas nos contratos de componentes nos próximos anos.
Diante desse cenário, a Microsoft também reconheceu que as despesas com armazenamento dobraram recentemente e continuam pressionando o planejamento corporativo para o Project Helix, seu próximo console.
A postura das fabricantes
Historicamente, as marcas apostam em vender hardware com margens espremidas — ou até no prejuízo — para lucrar posteriormente com assinaturas e softwares. No entanto, a alta dos insumos atingiu um patamar onde essa estratégia encontra barreiras intransponíveis.
Em junho, Hideaki Nishino, presidente e CEO da Sony Interactive Entertainment, abordou o tema em uma sessão de perguntas e respostas, afirmando que não considera realista absorver integralmente os aumentos dos componentes. Ele também declarou que, como princípio, a empresa não pretende vender hardware com perdas significativas.
Reflexos no Brasil e futuro da indústria
Ainda não existem valores oficiais anunciados para o mercado brasileiro. Simulações baseadas na conversão e na carga tributária atual mostram que um aparelho comercializado a US$ 1.000 no exterior poderia superar facilmente a cifra dos R$ 8 mil em solo nacional.
Analistas econômicos alertam que valores tão elevados podem desestimular a migração de jogadores para a nova geração, desacelerando as vendas globais nos primeiros anos de circulação. Até o momento, as companhias mantêm sigilo sobre cronogramas definitivos, tornando qualquer projeção atual um exercício de especulação condicionado aos rumos da economia global.








