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Mudanças em locais de votação geram desafios para eleitores da Maré

Moradores enfrentam dificuldades de deslocamento e filas após transferência de seções eleitorais determinadas pelo TRE-RJ.

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Moradores da Maré se mobilizam para divulgar locais de votação

A transferência de seções eleitorais no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, trouxe transtornos para milhares de eleitores. Cerca de 17 mil moradores da região foram realocados para novos endereços no primeiro turno, enfrentando longas distâncias e filas extensas para exercer o direito ao voto.

H2: Impacto na rotina dos moradores O fotógrafo Marlon Soares descreveu a frustração com o processo. “Pensei em todo momento em desistir”. Para ele, a mudança comprometeu a logística familiar. “Eu estou muito incomodado com essa decisão de mudança de local de votação”, afirmou. O morador ainda relatou problemas estruturais nos novos pontos: “Sempre votei lá, inclusive, é o mesmo local de votação da minha família. Era o melhor local para votar, por conta da fila, que não existia”. Sobre o dia da votação, ele completou: “Me jogaram para outro bairro. Tive que pegar condução para chegar e fiquei mais de duas horas na fila para conseguir votar”.

Rejane Barcelos, moradora da Vila do João, enfrentou dificuldades semelhantes ao ser direcionada para uma igreja fora da comunidade. “Lá não passa ônibus perto, não passa nada perto. Ainda bem que eu tinha um dinheirinho para pedir Uber”. Ela também relatou um cenário de desorganização: “Tinha um povo vindo da missa e outro indo votar. Um tumulto. Tive muita dificuldade para conseguir entrar e poder votar”.

H2: Justificativa do TRE-RJ As alterações foram implementadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) com o objetivo de retirar seções de áreas consideradas de alto risco. Ao todo, 72 locais foram alterados no estado, atingindo cerca de 202 mil pessoas. No Complexo da Maré, 16.907 eleitores de 41 seções foram afetados. Segundo o órgão, a meta foi buscar locais fora de zonas dominadas por grupos armados, priorizando a segurança dos eleitores e mesários.

H3: Dados sobre abstenção Levantamentos indicam que a abstenção nas seções transferidas na Maré atingiu 31,07%, índice superior à média nacional de 21,08%. Embora o TRE-RJ não tenha vinculado o aumento à mudança de endereço, organizações sociais alertam para as barreiras de acesso. A ONG Redes da Maré aponta que o deslocamento para fora do território impacta especialmente idosos, pessoas com deficiência e mulheres chefes de família.

H3: Iniciativas de mobilização Para reduzir o absenteísmo no segundo turno, a Redes da Maré promove a campanha Esquinas por Direitos, oferecendo orientações sobre os locais de votação. A instituição reforça a importância da participação democrática apesar dos obstáculos. Lia Manso, analista da ONG, ressalta que o voto “foi um direito arduamente conquistado e reafirmado em um contexto de redemocratização”. Ela complementa: “A luta por ele não está terminada”.

A expectativa para o próximo domingo é de um fluxo menor, já que a votação será restrita ao cargo de presidente. O TRE-RJ reforçou que o transporte público será gratuito, conforme a legislação vigente, e que disponibilizou transporte adaptado para pessoas com mobilidade reduzida, embora tenha registrado baixa procura por esse serviço na região. O órgão orienta que todos os eleitores consultem o endereço atualizado antes de sair de casa.

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