–:–:–
Conecte-se conosco

Jovem mantida em cárcere privado tinha medidas contra agressor

Apesar das restrições judiciais ativas, suspeito de 19 anos manteve a vítima trancada por 30 dias em Cuiabá antes de ser preso em flagrante.

0 visualizações
Jovem resgatada após ser mantida por 30 dias em cárcere privado tinha medidas protetivas contra namorado

Uma jovem de 21 anos foi libertada de um cárcere privado que durou aproximadamente 30 dias, em Cuiabá. O caso ganhou repercussão após policiais militares ouvirem gritos de socorro vindos de uma residência no bairro Cidade Alta, na última quinta-feira (15). O suspeito, Artur da Silva Coelho, de 19 anos, já possuía medidas protetivas contra ele devido a episódios anteriores de violência doméstica, mas continuava a ameaçar e agredir a vítima.

Prisão preventiva e histórico de violência Durante a audiência de custódia, a juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges converteu a prisão em flagrante de Artur em preventiva, sem prazo determinado. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) destacou que o histórico do acusado inclui três medidas protetivas anteriores e um inquérito por violência doméstica, com relatos que envolvem estrangulamento e agressões físicas. Ao fundamentar a decisão, a magistrada enfatizou a ineficácia das medidas anteriores para conter a escalada da violência. “A manutenção da liberdade do autuado representa risco concreto à integridade física e psicológica da vítima”, afirmou a magistrada.

Relatos de tortura e ameaças Após ser resgatada, a jovem narrou um cenário de violência extrema. Ela afirmou que era mantida sob controle, sofria agressões físicas frequentes — como socos, chutes e puxões de cabelo — e era forçada a consumir entorpecentes e manter relações sexuais. Além disso, a vítima relatou que teve o cabelo cortado pelo agressor com uma faca. O boletim de ocorrência também aponta que a mãe de Artur teria ameaçado a jovem, afirmando que os irmãos do suspeito a retaliariam caso algo acontecesse ao rapaz.

A defesa do suspeito O advogado Frank Moreno Martins, que representa Artur, solicitou a liberdade provisória e negou as acusações de cárcere privado e descumprimento das medidas judiciais. Segundo a defesa, a jovem frequentava a residência voluntariamente. O advogado ainda alegou que o suspeito fugiu da abordagem policial por medo. Sobre a alegação de agressões por parte dos policiais militares, a juíza determinou que o caso seja encaminhado à Corregedoria da PM para apuração detalhada.

Contexto sobre a Lei Maria da Penha O caso reforça a importância das ferramentas de proteção, como o aplicativo SOS Mulher MT, que permite acionar o botão do pânico em situações de descumprimento de medidas protetivas. A Lei Maria da Penha, vigente desde 2006, tipifica diversos tipos de violência contra a mulher, incluindo a física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. As medidas protetivas podem ser solicitadas em delegacias, no Ministério Público ou na Defensoria Pública, sendo um direito fundamental para garantir a integridade de mulheres em situação de risco.

Mais em Política

Ver tudo →