O encerramento do primeiro turno das eleições de 2026 definiu a disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), além de eleger 21 governadores, 54 senadores e 513 deputados federais. O pleito também serviu para medir a influência de dezenas de candidatos ligados a famílias com histórico na vida pública brasileira ou que lançaram parentes na mesma disputa.
Desempenho dos clãs tradicionais nas urnas
Sobrenomes históricos testaram sua força nas urnas, com resultados bastante variados. A família Sarney, liderada historicamente pelo ex-presidente José Sarney, viu seu legado chegar ao fim com a derrota de Roseana Sarney (MDB) ao Senado, marcando a ausência da família em cargos políticos pela primeira vez desde 1954.
Em Alagoas, o clã Calheiros sofreu reveses expressivos com as derrotas de Renan Filho (MDB) ao governo estadual e de Renan Calheiros (MDB) ao Senado, embora Remi Calheiros (MDB) tenha garantido vaga na Assembleia Legislativa. Já Arthur Lira (PP-AL) venceu a disputa para o Senado e celebrou a eleição do filho, Alvinho Lira (PP), como o deputado federal mais jovem do país, aos 20 anos.
Novas forças e dinastias regionais
Enquanto os clãs tradicionais enfrentavam resistência, famílias de ascensão mais recente também mediram popularidade. O grupo político de Jair Bolsonaro teve quatro de seis nomes eleitos, incluindo Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Carlos Bolsonaro (PL-SC) para o Senado, além de Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) e Renato Bolsonaro (PL-SC) na Câmara. Rogéria Bolsonaro (PL-RJ) não obteve êxito, e Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno presidencial.
No Pará, o clã Barbalho elegeu Helder Barbalho (MDB) para o Senado e Jader Filho (MDB) para a Câmara, mas Elcione Barbalho (MDB) ficou sem a vaga de deputada estadual. No Maranhão, o deputado Josimar de Maranhãozinho não tentou a reeleição, mas emplacou quatro familiares: os sobrinhos Aldir Júnior (PL) e Fabiana Vilar (PL) como federais, além da esposa Detinha (PL) e do filho Josimar Júnior (PL) como estaduais.
Parentescos distantes e alianças conjugais
As eleições também contaram com candidaturas de gerações mais afastadas, como um sobrinho-neto de Dilma Rousseff e dois bisnetos de Miguel Arraes. Entre os herdeiros de Arraes, Marília Arraes (PDT) foi eleita ao Senado, e Maria Arraes (PSB) e Pedro Campos (PSB) conquistaram cadeiras de deputado federal, enquanto João Campos (PSB) perdeu a disputa pelo governo de Pernambuco.
A força dos laços conjugais apareceu na eleição de três governadores que conseguiram eleger suas esposas para o Legislativo: JHC (PSDB-AL) com Marina JHC (PSDB-AL), Dr. Furlan (PSD-AP) com Rayssa Furlan (Podemos-AP) e Sergio Moro (PL-PR) com Rosângela Moro, todos vitoriosos para o Senado ou Câmara. O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) elegeu a esposa Gracinha Caiado (União Brasil) para o Senado, embora tenha perdido a corrida presidencial.
Outros casais registraram diferentes destinos nas urnas, como João Roma (PL), derrotado ao Senado enquanto a esposa Roberta Roma (PL) virou deputada federal, e Eduardo Braga (MDB), reeleito senador com a esposa Sandra Braga (MDB) na suplência.








