Manifestantes apoiadores do presidenciável Flávio Bolsonaro realizaram um ato nas proximidades da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde proferiram ofensas contra a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018 em decorrência de motivação política.
Contexto da manifestação na PUC-Rio A mobilização aconteceu exatamente um dia após a instituição de ensino determinar a proibição de propagandas e manifestações político-partidárias em suas dependências até o encerramento do período eleitoral.
Registros em vídeo compartilhados amplamente nas plataformas digitais mostraram participantes ironizando o homicídio da parlamentar. Do alto de um veículo de som, um dos presentes ironizou: “Marielle está com papai do céu”, e acrescentou, “ou no colo do capeta”.
Confronto verbal e protestos estudantis Enquanto o grupo bolsonarista discursava com críticas direcionadas aos simpatizantes de Lula, estudantes responderam com gritos de resistência e coro de “Marielle, presente”, gerando um cenário de intensa troca de xingamentos entre as facções opostas.
Repercussão e repúdio familiar Diante do ocorrido, Luyara Franco, filha da vítima, utilizou as redes sociais para repudiar os ataques e defender a trajetória da mãe por meio de uma gravação.
“Zombar do assassinato de Marielle Franco não é opinião. Não é debate. Não é liberdade de expressão. É violência política”, afirmou. “Transformar o assassinato da minha mãe em motivo de deboche é desrespeitar sua história, sua família e a luta de tantas pessoas que seguem exigindo justiça”.
“Marielle foi uma mulher brilhante, cientista social formada pela PUC-Rio, pesquisadora, mestre em Administração Pública e uma parlamentar que dedicou sua vida à defesa dos direitos humanos. Uma mulher que pensava o Brasil com profundidade e trabalhava para transformá-lo”, pontuou Luyara.
Por sua vez, a deputada federal eleita Anielle Franco, irmã da vereadora, manifestou solidariedade aos universitários que confrontaram o ato e reforçou a importância da resistência política.
“A minha irmã estudou na PUC-Rio e eu sou professora. A gente sabe o lado certa da história, que a gente está. A gente está aqui para dizer que a gente resiste”, afirmou.
Histórico do crime e condenações O atentado aconteceu em março de 2018, quando o veículo que transportava a vereadora foi alvo de disparos de arma de fogo ao deixar um evento político na região central da capital fluminense, resultando também na morte do motorista Anderson Gomes.
Os executores confessos, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, receberam suas condenações judiciais em 2024. A investigação também responsabilizou judicialmente Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas fluminense na época; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão; Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do estado; o major da Polícia Militar Ronald de Paula; e o ex-policial militar Robson Calixto.








