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Santuário de elefantes no MT celebra uma década de resgates

Localizado em Chapada dos Guimarães, o refúgio abriga atualmente sete animais após década de reabilitação e cuidados especializados.

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Lar de gigantes: Santuário de Elefantes Brasil completa 10 anos desde a chegada das primeiras moradoras

O Santuário de Elefantes Brasil completou 10 anos desde a chegada das primeiras moradoras, Guida e Maia, marcando uma década de atuação dedicada à recuperação física e emocional de animais que sofreram com os maus-tratos em cativeiro.

História e estrutura do refúgio

Fundada em 2014, a Associação Santuário de Elefantes Brasil é a pioneira em sua categoria na América Latina. O espaço recebeu suas duas primeiras moradoras em 11 de outubro de 2016, após o resgate de um circo onde eram exploradas em apresentações. Guida faleceu em 25 de junho de 2019, aos 44 anos. Atualmente, o refúgio abriga sete animais: Maia, Rana, Bambi, Mara, Baby, Guilhermina e Sandro.

Instalado em Chapada dos Guimarães, o projeto opera sem fins lucrativos e não permite a visitação pública, garantindo um ambiente privativo com vegetação nativa, lagos e estímulos naturais essenciais para o desenvolvimento dos mamíferos.

A chegada do primeiro elefante macho

O morador mais recente é Sandro, de 54 anos, o primeiro macho a integrar o grupo. Ele desembarcou em 18 de setembro, depois de passar mais de quatro décadas no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, localizado em Sorocaba, São Paulo.

Embora compartilhe o espaço com as fêmeas, Sandro permanece em um recinto separado fisicamente. A estrutura foi planejada para permitir que os animais se vejam, identifiquem o cheiro uns dos outros e mantenham contato por meio de vocalizações.

Controvérsias e disputa judicial

A remoção de Sandro provocou protestos de visitantes e contestações públicas direcionadas à instituição, com alertas sobre os perigos de uma viagem prolongada devido à idade avançada do animal e receios quanto à adaptação.

Em contrapartida, os gestores da organização e os veterinários responsáveis asseguraram que o deslocamento foi minuciosamente preparado para reduzir o estresse, sendo iniciado apenas após a completa familiarização do animal com a caixa de transporte.

O processo de transferência decorreu de uma longa batalha jurídica entre a Prefeitura de Sorocaba e o Ministério Público de São Paulo. Em junho de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo emitiu autorização para a mudança, amparada por avaliações técnicas e perícias, apesar dos recursos apresentados pela prefeitura municipal.

O debate ganhou repercussão após o falecimento da elefanta Haisa, que conviveu com Sandro no zoológico por cerca de duas décadas, ocorrido em 2020. A partir desse momento, entidades de proteção intensificaram as cobranças para levar o elefante a uma área mais ampla e adequada às necessidades da espécie.

Funcionamento e rotina de reabilitação

O projeto opera fundamentado em diretrizes técnicas rigorosas voltadas ao manejo e à proteção da fauna. Entre os pilares da atuação estão:

Estímulo à autonomia: Os animais têm liberdade para decidir quando e onde querem caminhar, banhar-se nos lagos ou descansar, desenvolvendo rotinas próprias. Redução do estresse do cativeiro: A oferta contínua de estímulos visuais, olfativos e de espaço reduz comportamentos repetitivos (estereotipias) causados pelo tédio e pelo confinamento prolongado. Equipe multiprofissional: O acompanhamento é feito diariamente por veterinários, biólogos e tratadores especializados na reabilitação de grandes mamíferos. Segurança e regras de manejo: Os recintos mantêm separações técnicas por espécie e gênero, respeitando a organização social natural dos animais e cumprindo as normas ambientais de licenciamento, que proíbem a reprodução de espécies exóticas em cativeiro.

A iniciativa consolida-se como referência na América Latina ao proporcionar uma alternativa segura para mamíferos que precisaram abandonar o cativeiro em busca de dignidade e bem-estar.

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