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Missa de Nossa Senhora Aparecida tem apelo por paz e desarmamento

Vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre Padilha participaram da celebração solene na Catedral Basílica paulista.

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Arcebispo de Aparecida pede desarmamento e atenção à fome e à pobreza

Durante a principal celebração religiosa do dia da Padroeira do Brasil, realizada na Catedral Basílica de Aparecida (SP), o arcebispo metropolitano Dom Mário Antônio da Silva direcionou seu discurso para urgências sociais e o fim da violência. A homilia da missa solene das 9h contou com a presença de importantes figuras da política nacional, incluindo o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Apelo social e combate à violência

O líder religioso enfatizou que a fé não pode coexistir com a apatia diante das crises enfrentadas pela sociedade atual.

“Quem escuta Deus não pode ficar indiferente diante da fome, da pobreza, da violência, da solidão. Não pode ficar indiferente diante das famílias feridas, das crianças também feridas, dos jovens sem esperança, dos idosos abandonados. Não podemos ficar interferentes diante das guerras, da destruição da natureza, e de tantos outros males que nos afetam, que afetam a população do Brasil e do mundo”, destacou o arcebispo no sermão da missa.

Em seguida, o religioso reforçou a necessidade de construir um cenário pacífico e criticou o uso de artefatos bélicos.

“Sabemos que Jesus manda construir a paz. E aqui escutando [o papa] Leão XIV, uma paz desarmada e desarmante. Mas muitas vezes alimentamos divisões com armamentos, com guerras e tantos confrontos entre nós. O evangelho, queridos irmãos e irmãs, não nos autoriza a odiar quem pensa diferente, e nem a matar os inimigos”, acrescentou.

Debate sobre o título da padroeira

Nos bastidores da festividade, o arcebispo comentou sobre os boatos recentes envolvendo uma possível perda do título de Padroeira do Brasil por parte de Nossa Senhora, especulações que surgiram após movimentações políticas ligadas a grupos evangélicos. Embora o candidato do PL tenha negado qualquer intenção de destituir a santa, Dom Mário afastou preocupações sobre o tema.

“Não tenho nenhum temor de que Maria deixará de ter importância que tem na vida do povo brasileiro. O título de padroeira do Brasil foi dado pelo papa em 1930. E proclamado aqui no Brasil, a capital era o Rio de Janeiro, em 31 de maio de 1931. Então já é uma longa data desse título de Maria padroeira do Brasil”, disse.

Apesar de reconhecer a existência de debates político-partidários favoráveis e contrários ao assunto, ele pontuou que não é o momento para especulações alarmistas sobre o futuro institucional da devoção.

“Creio que as movimentações políticas favoráveis ou não existem hoje e existirão no decorrer dos próximos anos. É claro que existem vários questionamentos daquilo que poderá acontecer no próximo ano, dependendo das eleições do segundo turno. Mas eu creio que, no momento, não cabe a nós fazer cenários que nos assustem ou que destituam aquilo que estamos vivenciando hoje com muita alegria”.

Multidão de romeiros no Vale do Paraíba

A data festiva atraiu uma multidão colossal para a cidade localizada no interior paulista. A administração do santuário nacional estimou que cerca de 150 mil pessoas visitassem o complexo religioso ao longo do feriado. Somando o período da novena que antecedeu a data, aproximadamente 500 mil devotos passaram pelo templo.

A celebração solene matina foi a mais concorrida, gerando filas intensas de fiéis que buscavam avistar a imagem sagrada na passarela. Entre os peregrinos, histórias de sacrifício e superação marcaram o dia, como a jornada do paulistano Anderson Roberto Mendes da Costa, de 47 anos, que caminhou 172 quilômetros desde a zona Leste da capital.

“Foram cinco dias caminhando. Foi bem penoso. No caminho, a gente pegou chuva de vento, granizo. No terceiro dia, deu muito sol. Foi bem penoso também, o pessoal teve insolação. Teve o pessoal que pegou infecção intestinal, mas graças ao bom Senhor, a gente conseguiu chegar. Mesmo com as dores, mesmo com as tormentas, chegamos todos bem, realizados com as bênçãos que foram conseguidas”, disse.

Outros visitantes aproveitaram o momento de fé para interceder pelo futuro do país, a exemplo da mineira Rosemeire Alves Araújo Vieira, de 59 anos, que viajou de Belo Horizonte em excursão.

“Vim agradecer e pedir benção para o nosso país, para o momento em que nós estamos vivendo, com essas eleições. Vim de Belo Horizonte e estar aqui é uma emoção muito grande”, ressaltou.

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