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Eleições 2026: Flávio Bolsonaro e Lula definem estratégia

Diferença de 2,2 milhões de votos no primeiro turno mobiliza petistas e liberais para a nova fase da corrida presidencial.

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Campanhas de presidenciáveis se reúnem para traçar estratégia no 2º turno

A corrida pela presidência será decidida em segundo turno no dia 25 de outubro, colocando frente a frente o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT). O primeiro turno terminou com Flávio na liderança, acumulando 47,03% dos votos válidos (56.102.126 votos), enquanto Lula registrou 45,16% (53.866.947 votos). Com uma margem de 1,87 ponto percentual — pouco mais de 2,2 milhões de eleitores —, o candidato do PL venceu na maioria dos estados das regiões Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Por sua vez, o atual presidente dominou em todo o Nordeste e entre os votantes no exterior.

A estratégia do Partido dos Trabalhadores para reverter o placar

Diante de um desempenho inferior ao esperado, a cúpula petista concluiu ser urgente uma revisão drástica da metodologia adotada na etapa inicial. Logo após a confirmação dos números, Lula reuniu aliados e o conselho político em Brasília nesta segunda-feira (5). Para o cientista político Leandro Gabiati, diretor da Dominium, a missão do petista passa por tornar a eleição um confronto direto de rejeições: “Lula precisa transformar o segundo turno em uma eleição plebiscitária de comparação de candidatos, com o objetivo de aumentar a rejeição contra Flávio.”

Entre as alternativas avaliadas estão o uso de uma linguagem mais acessível e ataques mais contundentes ao adversário, reduzindo o foco em temas abstratos como minerais críticos e debates acadêmicos sobre soberania. Além disso, a coordenação pretende absorver práticas bem-sucedidas em estados onde o partido teve votações expressivas, a exemplo de Ceará e Piauí. No entanto, existem divergências internas de tom entre Edinho Silva, presidente da legenda, e o ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação.

A presença de Lula no maior número possível de debates é considerada indispensável pela equipe, que aposta no confronto direto para recuperar terreno. Paralelamente, o grupo reavalia a defesa da proibição das bets feita na reta final — medida vista por aliados como um possível erro estratégico, apesar de mantida por convicção pessoal. Contudo, o principal obstáculo, segundo Bruno Rizzi, cientista político da Fatto Inteligência Política, está justamente na dificuldade de crescer além da base histórica do petismo: “é fato que a abstenção é muito mais prejudicial ao presidente Lula, pois isso envolve eleitores de classes mais baixas, de escolaridade mais baixa, moradores em regiões mais remotas, e esses perfis se encaixam mais com eleitores historicamente apoiadores do presidente Lula.”

Os planos do Partido Liberal e a união da base conservadora

Do lado opositor, os dirigentes do PL agendaram uma reunião para a tarde desta segunda-feira (5) com o propósito de delegar atribuições e fixar as diretrizes para a fase final. Na etapa anterior, o senador dividiu a agenda entre quatro frentes coordenadas pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), pela especialista em economia Daniella Marques e pelo candidato a vice, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). A intenção é preservar esse modelo e avaliar a inclusão do empresário e influenciador Pablo Marçal nas mobilizações. Para Rizzi, essa continuidade é justamente o trunfo do senador: “o principal ponto para a campanha de Flávio é a manutenção das boas estratégias que foram conduzidas até o momento, a manutenção do patamar de votos obtidos no primeiro turno.”

O candidato do PL também convocou um encontro de emergência na capital federal com o governador paulista reeleito, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visando alinhar a articulação da direita. Nomes como o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-presidente Michel Temer (MDB) já anunciaram apoio a Flávio, ao passo que Romeu Zema (Novo) reiterou oposição ao petismo sem citar o senador. Já Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) preferiram a neutralidade.

O peso dos apoios políticos e a caça aos votos perdidos

A diferença de 2,2 milhões de sufrágios entre os finalistas é inferior ao montante obtido somando Cury, Renan e Caiado, que ultrapassaram 8,7 milhões de votos, desconsiderando os nanicos. Mesmo assim, Gabiati ressalta que endossos de derrotados possuem caráter simbólico e restrito: “o apoio político formal de um candidato derrotado a outro candidato que disputa o segundo turno não quer dizer que há uma transferência mecânica, natural ou automática de votos a partir desse endosso.”

Essa perspectiva é corroborada por Rizzi, ao recordar o pleito de 2022, quando Simone Tebet apoiou Lula e Ciro Gomes indicou neutralidade com viés anti-governo, mas o eleitorado seguiu rumos distintos. Para 2026, a projeção indica que Flávio reterá a maioria dos simpatizantes derrotados da direita, enquanto a fatia remanescente para Lula não bastará para suprir a desvantagem inicial.

Desse modo, a atenção se volta aos mais de 33 milhões de cidadãos que se abstiveram e aos quase 6 milhões de nulos e brancos. Para o petista, essa parcela representa o principal e mais complexo desafio de expansão, visto que o comportamento histórico desde 2002 aponta que a abstenção tende a crescer sem se converter em votos úteis.

Por fim, o retrospecto da redemocratização indica que, em todas as disputas presidenciais de segundo turno desde 1989, o líder da primeira fase sagrou-se vitorioso. Trata-se de um dado estatístico favorável a Flávio no papel, mas que as equipes tratam com cautela devido à estreita margem entre os concorrentes.

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