A Fifa informou nesta quarta-feira (1º) que identificou cerca de 89 mil publicações abusivas nas redes sociais durante a fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. O volume é 13 vezes maior do que o registrado no Mundial de 2022, disputado no Catar, e acende um alerta para o crescimento dos discursos de ódio no ambiente digital.
Os dados são do Serviço de Proteção às Redes Sociais (SMPS), responsável por monitorar mais de seis milhões de publicações e comentários relacionados ao torneio. Segundo a entidade, 11% das mensagens ofensivas continham conteúdo racista, percentual superior ao verificado na edição anterior da competição.
De acordo com a Fifa, aproximadamente 225 mil publicações passaram por análise humana. Desse total, 89 mil foram classificadas como abusivas e cerca de mil contas foram encaminhadas para investigação por apresentarem indícios de violações mais graves.
Além da revisão manual, o sistema automatizado da entidade ocultou aproximadamente 181 mil comentários de ódio publicados nas contas oficiais das seleções participantes. Ao todo, mais de dois milhões de comentários foram moderados durante a fase de grupos, incluindo mensagens ofensivas, spam e conteúdos produzidos por perfis automatizados.
A Fifa atribui parte do aumento dos casos ao novo formato da Copa do Mundo, que passou de 32 para 48 seleções. Com mais partidas e maior participação de torcedores nas plataformas digitais, o volume de conteúdo monitorado também cresceu significativamente.
A entidade informou ainda que mais de 100 casos já foram encaminhados às autoridades policiais por apresentarem elementos que podem resultar na responsabilização criminal dos autores.
Entre os episódios registrados estão os ataques racistas direcionados aos jogadores holandeses Justin Kluivert, Quinten Timber e Crysencio Summerville. Os atletas passaram a ser alvo de ofensas após desperdiçarem cobranças de pênalti na derrota da Holanda para o Marrocos, durante a fase de grupos da competição.
O relatório reforça a preocupação da Fifa com o avanço dos discursos de ódio no futebol e destaca que o monitoramento continuará ao longo das próximas fases do Mundial, em parceria com plataformas digitais e autoridades de diferentes países.
Anelyse de Souza Mendes








